)Sarau(
A raposa / poesia inglesa do século 20
Ted Hughes

Imagino a floresta desta meia-noite;
Alguma coisa a mais está viva
Além da solidão do relógio
E da página branca por onde passam meus dedos.
Pela janela não vejo nenhuma estrela;
Algo mais próximo,
Embora mais profundamente mergulhado na penumbra,
Penetra a solidão:
Frio, delicadamente como a neve escura,
Um nariz de raposa toca em folhas, gravetos,
Dois olhos criam movimentos que agora
E agora novamente e agora e agora
Imprimem contra a neve marcas nítidas
entre as árvores e, prudentemente, uma imperfeita
Sombra se arrasta pelo tronco e no vazio
De um corpo decidido a chegar.
Debastando tudo, um olho,
Verdor que se alarga e se aprofunda
Brilhante e concentradamente
Bordejando o assunto que o ocupa,
Com um cheiro súbito, agudo e quente de raposa
Adentra a escuridão vazia da cabeça.
A janela continua sem estrelas; o relógio trabalha.
A página está impressa.
Tradução de Jorge Wanderley
Referência bibliográfica:
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HUGHES, Ted. A raposa. In: WANDERLEY, Jorge. 22 ingleses modernos: uma antologia poética. Organização, tradução e notas de Jorge Wanderley. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1993. pp. 157-158.

