)Sarau(
O vampiro
Efrén Rebolledo

de Efrén Rebolledo (1877-1929),
O vampiro
Rolam teus cachos escuros e sobejos
por tuas cândidas formas como um rio,
e esparjo em seu caudal, crespo e sombrio,
as rosas ardentes dos meus beijos.
Enquanto teus anéis solto em arquejos,
Sinto o leve roçar e o leve frio
da mão tua, e mui longos calafrios
me percorrem até os ossos, malfazejos.
Tuas pupilas caóticas e estranhas
rebrilham quando escutam o suspiro
que me sai lacerando as entranhas,
e enquanto eu agonizo, tu, sedenta,
és qual um negro e pertinaz vampiro
que com meu sangue ardente se sustenta.
Tradução de Eduardo Brandão
Referência bibliográfica:
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REBOLLEDO, Efrén. O vampiro. In: BOLAÑO, R. Os detetives selvagens. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p. 23-24.

