
Minha mulher torceu o nariz quando viu Matadores de vampiras lésbicas (Lesbian vampire killers, Inglaterra, 2009) entre os DVD’s que trouxe da locadora. “Como assim?!”, disse a ela. “Qual o problema?”. Bem, confesso que sabia aonde ela queria chegar e, de qualquer forma, desconfiava de que esse filme não tinha muito a ver comigo mesmo. Quer dizer, se tivesse 18 em vez de 38, teria; e muito. Adolescente, gostei bastante de vampiros e creio que, até hoje, ainda os aprecio. Mas com moderação...

Harvey Pekar foi encontrado morto em sua cama, na madrugada de 12 de julho, em Cleveland. Tinha 70 anos. Em seu último domingo, foi dormir às quatro e meia da tarde, sentindo-se bem, segundo a esposa. Câncer de próstata, pressão alta e depressão vinham-no incomodando nos últimos anos. “Se eu morrer, o personagem continua?”, pergunta Paul Giamatti a Hope Davis (Joyce Brabner), no filme Anti-herói americano (American Splendor, EUA, 2003), que retrata a vida de Pekar. “Sou um cara que escreve...

Durante a Guerra Civil espanhola, nos anos 1930, Robert Jordan (Gary Cooper) é um inglês idealista que, para defender os princípios de liberdade e democracia, se engaja na luta armada. Ele é uma espécie de agente secreto e tem uma missão de altíssimo risco pela frente: explodir uma ponte no momento certo, para impedir que tropas inimigas possam seguir caminho. Ao seu lado, tem um grupo de rebeldes que irá ajudá-lo a realizar sua tarefa. Os rebeldes moram nas montanhas; com eles, vive Maria...

Alguns mestres da literatura afirmam que, se um livro está bem feito, a ordem dos acontecimentos pouco importa. Algo como o meio da história iniciar a leitura e o final ficar na metade da obra. Essa "desordem" pode trazer benefícios muito interessantes. Para que isso seja possível, absolutamente tudo - personagem, estrutura, conflito - tem de estar bem feito. Não é coisa fácil, muito menos para principiantes. Claro que, para o cinema, a história muda um pouco. Começa que um filme é feito em...

Brutalidade, esse é o tema central de A fita branca. Antes de comentar o filme, porém, vou atrever-me a dissertar sobre a sinopse, que fala de "estranhos eventos que acontecem num pequeno vilarejo ao norte da Alemanha, pouco antes do início da Primeira Guerra Mundial". Estranhos eventos? Fui ao cinema na expectativa de presenciar tais eventos e medir suas estranhezas. Fiquei lá, angustiado por 144 minutos e nada. O filme terminou e absolutamente nada que não fosse comum, trivial...

Confesso: sempre fui um admirador do cinema argentino. Fui ver O segredo dos seus olhos (direção de Juan José Campanella) e saí do cinema com várias certezas. A primeira delas é que minha admiração não é à toa. Nossos queridos hermanos fazem cinema com a mesma facilidade que Maradona fazia estrepolias com a bola nos campos de futebol mundo afora. Eles estão, sem dúvida alguma, um pouco adiante do que nós - brasileiros da área cinematográfica, mergulhados em soberba...

Não sou muito simpático a transformar tudo em números. Acho isso uma atitude enfadonha, desnecessária e, pior, simplista demais. Algumas vezes, porém, é vantajoso. Pois, então, vamos lá: 2012 (já no título começam os algarismos) custou cerca de 260 milhões de dólares para 158 minutos de exibição. É, sem dúvida, o maior - em vários sentidos - de todos os filmes-catástrofe já lançados nesses últimos tempos. A obra traz nomes para lá de interessantes, como Roland Emmerich na direção - bastante...

"Trabalho para mim mesmo. Não devo satisfação a ninguém. Não tive escolha (ao fazer o filme). Foi a mão de deus, eu temo. E eu sou o melhor diretor de cinema do mundo. Não sei se deus é o melhor deus do mundo". Essa frase foi dita por Lars Von Trier na entrevista que deu logo após a exibição de Anticristo, seu último trabalho, no Festival de Cannes. O clima não era nada amistoso, pois na sessão especial para a imprensa, vaias foram ouvidas em vários momentos e alguns jornalistas saíram antes...

Foi ver Distrito 9 no cinema? Não? Más notícias: logo que você chegar ao céu, Ele vai fazer a mesma pergunta. Se ainda não tiver visto o filme, Ele vai pôr a mão na sua testa e, com o indicador da mão direita pra lá e pra cá, como um limpador de para-brisa, vai dizer que não há jeito: “Tu vais ter de voltar à vida errante que levavas e ver o filme em um cinema!”. Gerson, você só não pode regressar ao corpo oblongo e, depois da primeira lufada de ar a passar pelos brônquios, querer prorrogar...

Quando eu era menino, esperava ansiosamente pela visita do Papai Noel. Lembro que, de novembro em diante, meus "modos", que não eram lá o que se poderia chamar de bons, mudavam completamente. De moleque travesso a um pequeno lorde inglês em um passe de mágica. Confesso que depois da visita do bom velhinho, ficava calculando se tinha valido a pena todas aquelas semanas de comportamento exemplar e, na maioria das vezes, concluía que não.Pois acontece algo parecido nos dias de hoje...

É um filme daqueles que raramente caem em suas mãos. Faz algum tempo, Luiz Carlos Merten escreveu que Apenas uma vez (Once, Irlanda, 2006) ganhava o público pela franqueza e talento de Glen Hansard. O crítico de cinema do Estadão tinha razão. É um filme de uma simplicidade absurda e que conta também com Marketa Irglova no papel de uma imigrante tcheca que vende rosas e revistas nas ruas. Hansard interpreta um sujeito que vive a cantar e tocar violão em Dublin, em troca de moedas...

Motoqueiro fantasma é para se ver mais de uma vez. Impossível não gostar do filme. Terminada a adolescência, histórias de super-herois já não chamam mais tanto a atenção. Uma pena, porque sempre deveria existir um gibi do Motoqueiro Fantasma sobre a mesinha da sala. Quem não conhece Johnny Blade, o herói que se transforma no esqueleto flamejante montado numa motocicleta importada diretamente do inferno, após ver o filme, será mais um a escrever as palavras “motoqueiro fantasma” no Google.























