
Admiro quem sabe simplesmente fritar um ovo – o que não significa somente derramar um pouco de óleo numa frigideira, escorregar Clara & Gema abraçadas ali e jogar uma pitada de sal sobre as duas. O talento (por que não?) de quem sabe fritar um ovo é algo a se levar em conta. Admito: eu não sei fritar um ovo decente, sem esquartejá-lo, mas se soubesse gostaria de jogar umas ervas ali, recém-tiradas da horta e cortadas displicentemente com uma faca: manjericão, salsa, jambu, cheiro-verde...

Uma das vantagens de ser ateu é o poder da conversão. Eu mesmo abandonei minhas "certezas" diversas vezes. A última aconteceu nas férias, semanas atrás, em um momento fantástico. A cena mágica foi simples, porém inesquecível: estava eu diante de um entrecot jugoso, lindo, enorme, numa parrijada em Colônia de Sacramento. Quando coloquei o primeiro pedaço na boca, percebi o quanto tinha de divino aquilo tudo. O sabor daquela carne não poderia ser atribuído somente ao pasto dos pampas uruguaios...

Quem gosta de se aproximar da natureza, e não resiste à tentação da vida simples do interior mineiro, deve conhecer São José do Barreiro. Não se trata de uma cidade (não confundir com o município paulista de mesmo nome) e, sim, de um distrito de São Roque de Minas (322 km de Belo Horizonte), que num primeiro momento assusta o turista, porque tudo é muito humilde, muito simples, mas que, depois, revela seu charme. Não há o que fazer à noite. Não há lanchonetes, boates, vida noturna alguma. Mas...

Não bastasse a morte de Corey Haim, na quarta-feira passada, 10 de março, a notícia do assassinato a sangue frio do cartunista Glauco e de seu filho, Raoni, anteontem, 12 de março, deixou todo mundo estarrecido. Pai e filho foram assassinados com nove tiros, de madrugada, na casa onde moravam em Osasco. Para ser sincero, fiquei arrasado, como todos que não podem fazer nada, além de lamentar a perda precoce de pessoas que, infelizmente, não mereciam ponto final tão trágico. Nos dois casos...

Admito: ando irritado. Mais que o normal. Sempre pensei que isso fosse impossível, mas agora descobri que não. É que tenho motivos. Final de ano é um prato cheio de coisas irritantes. São dezenas de pequeninas falhas, insignificantes fatos e milhares de razões para que o controle vá para as cucuias. (Cucuias? Tem no dicionário? Caso não, paciência, pois é exatamente para lá que foi meu autocontrole) - (Outro parênteses? Logo depois do primeiro? Separados por um travessão? Isso existe? Bem...

Férias. Chegaram. Oba. Em ordem alfabética: acepipes, amigos, bicicleta, cachoeira, caminhadas, cervejinha, cinema, chocolate, chuva, colchão na sala, edredom, filmes, futebol, gordurinhas localizadas, livros, madrugada, mp3, notebook, ócio, ócio criativo, sexo tântrico, Silvia, sol, Tertúlia, Théo, três de sete crimes capitais (gula, luxúria, preguiça), viagens, vinho, zabumba. Se tudo vier a ser como tem de ser, essas serão as palavras-chave de minhas férias - essas e outras que...

Há nove anos Théo chegou. Era um sábado à tarde e havia um sol danado em Batatais. Quer hora melhor pra nascer? Bem, sexta-feira, após o ½ dia, também é uma hora e tanto. Hê, hê. 19 de agosto de 2000. Leão. Eu e minha sogra ficamos do lado de fora do quarto e ouvimos o choro. Piruetas no corredor do hospital. E enquanto a amada sorria no quarto, anjos ao meu lado, com trombetas uníssonas, anunciavam o momento luminoso; fomos ao encontro de Silvia e Théo, emocionados, eu & minha sogra. Nascia...

Aconteceu. Desde o fim de Entrelivros, nenhuma outra revista ocupava o posto de revista literária predileta entre o público interessado em literatura (já como farol das letras, é algo que está longe a qualquer uma das duas ou três revistas literárias brasileiras vendidas em bancas). Mas o último número da revista Conhecimento prático - literatura, novo e péssimo nome para o que antes era Discutindo literatura (nome também discutível), chegou para colocar as coisas no lugar...

Alô, alô. Testando. Som. SSSSSSSSSSom. 1, 2, 3... Olá, este é o site do fanzine Tertúlia. Nos anos 1990, fazer fanzine era mais do que ter um blog ou um site. Era esperar pelo carteiro todo dia, quando e-mails ainda não faziam parte da vida; as cartas chegavam sem parar. Mesmo quando não havia carta alguma, o carteiro passava lá em casa. “Não vai ficar triste, menino, mas hoje não tem carta"...

se alguém anda entrando neste site, muito obrigado; já, já, os testes chegam ao fim e, finalmente, tudo estará como desejado. a todos que por aqui passem: sejam bem-vindos! abraços, renato (realess72@gmail.com)