
Admiro quem sabe simplesmente fritar um ovo – o que não significa somente derramar um pouco de óleo numa frigideira, escorregar Clara & Gema abraçadas ali e jogar uma pitada de sal sobre as duas. O talento (por que não?) de quem sabe fritar um ovo é algo a se levar em conta. Admito: eu não sei fritar um ovo decente, sem esquartejá-lo, mas se soubesse gostaria de jogar umas ervas ali, recém-tiradas da horta e cortadas displicentemente com uma faca: manjericão, salsa, jambu, cheiro-verde...
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Quando chega o momento de ler um livro cortejado há tempos, nada mais importa: casa, comida, roupa lavada. Nada. É preciso esquecer a televisão, a vida doméstica, as horas. Da estante de livros, meu Hobbit sempre me lançava um olhar de paciência ancestral, cada vez que passava diante dele, enquanto eu também não sabia disfarçar a ansiedade sorrateira. Mirando-me, a caixa de O senhor dos anéis sempre me sorriu e, por trás do sorriso, via uma oportunidade única de aventura: uma aventura repleta...
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Uma das vantagens de ser ateu é o poder da conversão. Eu mesmo abandonei minhas "certezas" diversas vezes. A última aconteceu nas férias, semanas atrás, em um momento fantástico. A cena mágica foi simples, porém inesquecível: estava eu diante de um entrecot jugoso, lindo, enorme, numa parrijada em Colônia de Sacramento. Quando coloquei o primeiro pedaço na boca, percebi o quanto tinha de divino aquilo tudo. O sabor daquela carne não poderia ser atribuído somente ao pasto dos pampas uruguaios...
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Minha mulher torceu o nariz quando viu Matadores de vampiras lésbicas (Lesbian vampire killers, Inglaterra, 2009) entre os DVD’s que trouxe da locadora. “Como assim?!”, disse a ela. “Qual o problema?”. Bem, confesso que sabia aonde ela queria chegar e, de qualquer forma, desconfiava de que esse filme não tinha muito a ver comigo mesmo. Quer dizer, se tivesse 18 em vez de 38, teria; e muito. Adolescente, gostei bastante de vampiros e creio que, até hoje, ainda os aprecio. Mas com moderação...
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Harvey Pekar foi encontrado morto em sua cama, na madrugada de 12 de julho, em Cleveland. Tinha 70 anos. Em seu último domingo, foi dormir às quatro e meia da tarde, sentindo-se bem, segundo a esposa. Câncer de próstata, pressão alta e depressão vinham-no incomodando nos últimos anos. “Se eu morrer, o personagem continua?”, pergunta Paul Giamatti a Hope Davis (Joyce Brabner), no filme Anti-herói americano (American Splendor, EUA, 2003), que retrata a vida de Pekar. “Sou um cara que escreve...
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Sigamos então, tu e eu,/ Enquanto o poente no céu se estende/ Como um paciente anestesiado sobre a mesa;/ Sigamos por certas ruas quase ermas,/ Através dos sussurrantes refúgios/ De noites indormidas em hotéis baratos,/ Ao lado de botequins onde a serragem/ Às conchas das ostras se entrelaça:/ Ruas que se alongam como um tedioso argumento/ Cujo insidioso intento/ É atrair-te a uma angustiante questão . . ./ Oh, não perguntes: "Qual?"/ Sigamos a cumprir nossa visita./ No saguão as mulheres vêm...
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Este sítio, Tertúlia, nasceu de um fanzine. De 1993 a 1997 foram apenas seis números. Fanzine é uma revista que você mesmo faz, com tesoura, cola e uma ideia na cabeça. "Xerox e revolução", disse Marcel Plasse nos anos 90. Tertúlia agora está on-line. Seja bem-vind@. Música, cinema, literatura, entrevistas, futebol (Santos Futebol Clube), um pouco de meu trabalho (work in progress) e de tudo um pouco (gastronomia, cidades etc.). Coisas para relembrar: nunca tive talento para tocar guitarra (infelizmente) e sempre gostei de botes contra a corrente.
Renato Alessandro dos Santos
realess72@gmail.com