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Contentamento descontente: "Niketche" e a poligamia

"Niketche", quarto romance de Paulina Chiziane, trata de um tema caro às mulheres moçambicanas, especialmente àquelas que vêm do sul do país: a poligamia. A narradora Rami, há duas décadas, é casada com Tony. Juntos, têm filhos, posses, estabilidade social. Mas ela descobre que o marido tem outras mulheres, e sua vida vira de pernas pro ar. Em Moçambique, como em outros países da África, a poligamia é permitida, para a tristeza de muitas mulheres que a aceitam, mesmo a contragosto. Rami...

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Inferno em digestão

Olhando para trás, lá se vão 24 anos. Terra sonâmbula, romance de Mia Couto, tem essa idade ― praticamente o mesmo número de anos que sinalizam o fim da guerra civil de Moçambique, em 1992. Vida difícil a dos moçambicanos. Não bastasse a independência tardia (1975), encerrando a fase de guerra anticolonial, o país entrou em outra batalha, interna, a guerra civil que, de 1976 a 1992, deixou o chão e a vida esburacados. Luta necessária, amplamente mortífera, e que assinala um período em que um...

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O mar interminável

"Restinga", de Miguel Del Castillo é um livro composto por dez contos e uma novela, dividido em quatro partes. A primeira, com três histórias; a segunda com quatro; a terceira, três. Por último, a novela “Laguna”. As histórias têm em comum o tema, que é a quebra e a perda das relações familiares. Os títulos dessas narrativas também se entrelaçam, trazendo como lastro a geografia que cada um deles comporta, como Restinga, Paranoá, Leme, Cancun, Arraial, Laguna. A exceção fica com Violeta, mas...

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Apostas perigosas - capítulo 1

A sala de embarque do Santos Dumont começa a ficar repleta. É manhã de quarta-feira. G. se levanta de uma das cadeiras que ficam em frente ao café e caminha até o vidro que se alonga junto aos portões de embarque. Dali pode observar parte da baía, a saída da barra e o conjunto de morros que tem como destaque o Pão de Açúcar. Seguindo com os olhos uma linha horizontal à esquerda, ele aprecia as praias de Niterói. Seu celular, conectado a fones de ouvido, toca uma música do The Who. G nem...

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"que as palavras caídas na folha arrebentem os homens de dentro pra fora"

Que diferença há entre mim e essa garrafa de uísque? Talvez o uísque empreste alguma cor às pessoas; uma tonalidade que escape do meio-tom-pastel. Eu, com o avesso grisalho, não sou capaz de fugir do mofo. Talvez? Porra, o uísque implode o corpo, arremessando a alma pra outro âmbito. O uísque venda os olhos da consciência e entrega o sujeito a uma sensação excitante. Como eu, Salvador dos Santos, ousaria competir com algo tão viril? Com palavras! Ah, achei que seria capaz de penetrar nas...

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Salamandra

Acabei de jogar o cabelo para trás. Foi culpa de um acorde. Me senti meio ridículo, como se não tivesse mais idade para isso, um velhinho pego roubando um beijo de língua de sua amora. Rio das estações dentro de mim. Quando o rio desembarcar no mar, o inverno chegará ao fim. Então, Lídia, sentados com os pés na correnteza, vamos preservar ideias de toda uma vida, lutando para mantê-las dobrando, um serrote tocado com um arco.

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Este sítio, Tertúlia, nasceu de um fanzine. De 1993 a 1997 foram apenas seis números. Fanzine é uma revista que você mesmo faz, com tesoura, cola e uma ideia na cabeça. "Xerox e revolução", disse Marcel Plasse nos anos 90. Tertúlia agora está on-line. Seja bem-vind@. Música, cinema, literatura, entrevistas, futebol (Santos Futebol Clube), um pouco de meu trabalho (work in progress) e de tudo um pouco (gastronomia, cidades etc.). Coisas para relembrar: nunca tive talento para tocar guitarra (infelizmente) e sempre gostei de botes contra a corrente.
Renato Alessandro dos Santos
realess72@gmail.com

"Olá, este é o site do fanzine Tertúlia. Nos anos 1990, fazer fanzine era mais do que ter um blog ou um site. Era esperar pelo carteiro todo dia, quando e-mails ainda não faziam parte da vida; as cartas chegavam sem parar. Mesmo quando não havia carta alguma, o carteiro passava lá em casa. 'Não vai ficar triste, menino, mas hoje não tem carta', lamentava. 'Não há problema', eu dizia.'Amanhã chega mais'. E chegava. Cartas vinham de tudo quanto é parte do Brasil e fora daqui: Espanha, Cuba, EUA. O fanzine ia cada vez mais longe... LEIA MAIS...