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)Livros(

"Asterios Polyp" e a arte da narrativa dos quadrinhos

Há muitas questões que circulam no gênero graphic novel, ou romance gráfico. Uma delas toca na definição clássica de romance, gênero cuja forma abre margem a outros gêneros e a outras formas dentro do seu discurso, significando-se e ressignificando a matéria que representa, como um catalisador de substâncias do mundo. Em tempos em que a imagem impera como ferramenta de comunicação e expressão, o romance gráfico encontra lugar certo. Art Spiegelman, Alan Moore, Neil Gaiman, os irmãos Moon e Bá,

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)Contos(

Canvas

“No princípio criou Deus os céus e a terra. A terra era quadrada, branca e vazia; e havia um estúdio sobre a face do abismo, mas o Espírito de Deus pairava sobre a face das tintas. Disse Deus: haja cor. E fez-se cor. Viu Deus que a cor era boa; e fez separação entre as cores com um prisma. E Deus me chamou de mulher, e você de homem. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro”. “Por que ele começou com você?”, o homem perguntou. “Porque eu estava do lado esquerdo da tela”, a mulher respondeu.

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)Livros(

O homem não deve morrer

"O lado imóvel do tempo", de Matheus Arcaro, é um romance que se soma aos que discutem o tempo e a existência humana. Começando com uma epígrafe tirada de Platão, “O tempo é a imagem móvel da eternidade”, o autor apresenta o personagem Salvador, homem obstinado em eternizar-se mediante algum feito. Desde a antiguidade clássica, o passar do tempo já se tornava algo necessário nos debates entre os filósofos, pois a existência se desenvolve dentro dele, tornando-se pequena por maior que seja...

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)Livros(

Contentamento descontente: "Niketche" e a poligamia

"Niketche", quarto romance de Paulina Chiziane, trata de um tema caro às mulheres moçambicanas, especialmente àquelas que vêm do sul do país: a poligamia. A narradora Rami, há duas décadas, é casada com Tony. Juntos, têm filhos, posses, estabilidade social. Mas ela descobre que o marido tem outras mulheres, e sua vida vira de pernas pro ar. Em Moçambique, como em outros países da África, a poligamia é permitida, para a tristeza de muitas mulheres que a aceitam, mesmo a contragosto. Rami...

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)Livros(

Inferno em digestão

Olhando para trás, lá se vão 24 anos. Terra sonâmbula, romance de Mia Couto, tem essa idade ― praticamente o mesmo número de anos que sinalizam o fim da guerra civil de Moçambique, em 1992. Vida difícil a dos moçambicanos. Não bastasse a independência tardia (1975), encerrando a fase de guerra anticolonial, o país entrou em outra batalha, interna, a guerra civil que, de 1976 a 1992, deixou o chão e a vida esburacados. Luta necessária, amplamente mortífera, e que assinala um período em que um...

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)Livros(

O mar interminável

"Restinga", de Miguel Del Castillo é um livro composto por dez contos e uma novela, dividido em quatro partes. A primeira, com três histórias; a segunda com quatro; a terceira, três. Por último, a novela “Laguna”. As histórias têm em comum o tema, que é a quebra e a perda das relações familiares. Os títulos dessas narrativas também se entrelaçam, trazendo como lastro a geografia que cada um deles comporta, como Restinga, Paranoá, Leme, Cancun, Arraial, Laguna. A exceção fica com Violeta, mas...

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Este sítio, Tertúlia, nasceu de um fanzine. De 1993 a 1997 foram apenas seis números. Fanzine é uma revista que você mesmo faz, com tesoura, cola e uma ideia na cabeça. "Xerox e revolução", disse Marcel Plasse nos anos 90. Tertúlia agora está on-line. Seja bem-vind@. Música, cinema, literatura, entrevistas, futebol (Santos Futebol Clube), um pouco de meu trabalho (work in progress) e de tudo um pouco (gastronomia, cidades etc.). Coisas para relembrar: nunca tive talento para tocar guitarra (infelizmente) e sempre gostei de botes contra a corrente.
Renato Alessandro dos Santos
realess72@gmail.com

"Olá, este é o site do fanzine Tertúlia. Nos anos 1990, fazer fanzine era mais do que ter um blog ou um site. Era esperar pelo carteiro todo dia, quando e-mails ainda não faziam parte da vida; as cartas chegavam sem parar. Mesmo quando não havia carta alguma, o carteiro passava lá em casa. 'Não vai ficar triste, menino, mas hoje não tem carta', lamentava. 'Não há problema', eu dizia.'Amanhã chega mais'. E chegava. Cartas vinham de tudo quanto é parte do Brasil e fora daqui: Espanha, Cuba, EUA. O fanzine ia cada vez mais longe... LEIA MAIS...